Indigna-me o fundamentalismo.
A democracia é a melhor forma de justificar o fundamentalismo, nos dias de hoje. O espírito da liberdade democrática permite a proliferação da ditadura opinativa e, tal como no tempo da censura mas por motivos opostos, não podemos fazer nada. Se antigamente existia um controlo rígido das massas e o fundamentalismo era proveniente de focos específicos e devidamente credenciados para tal, hoje - felizmente para as gargantas sequiosas - todos somos líderes de opinião e ouvem-se coisas do arco da velha.
Há teorias inacreditáveis, justificadas ou não - porque não é preciso -, pessoas que clamam para si o direito de fazer julgamentos com base no seu próprio exemplo e se insurgem contra as injustiças do mundo, normalmente em prol do seu umbigo e, de um modo geral, partem sempre de bons "princípios" (tenho muita dificuldade em compreender esta expressão).
Irrita-me particularmente que as pessoas afirmem determinada coisa em relação ao que o outro faz e lhe atribuam um motivo e um efeito, sem contemplações, como se fosse assim, líquido, dois mais dois. Irrita-me porque sou ambígua e gosto de o ser. Significa que não sou obtusa.
Não gosto do fundamentalismo que encontro na igreja católica e nas demais religiões; não gosto do fundamentalismo que rege os "princípios políticos" (a expressão assim ganha ainda mais corpo); não gosto do fundamentalismo considerado institucional. Mas este tipo de fundamentalismo é quase aceitável porque se herdou, é tradicional, tem raízes remotas.
Aquele que me aborrece mesmo, é o fundamentalismo que encontro em todo o lado, nas mentalidades: o de algumas pessoas casadas (as que vêem na união de facto uma desculpa para a irresponsabilidade e recusa de compromisso), o de algumas pessoas solteiras (as que vêem no casamento clausura e renúncia à própria liberdade), o de alguns heterossexuais (os que olham outras opções como desvios), o de alguns homossexuais (os que vêem na imposição de desfiles e paradas uma forma de se integrarem), o dos machistas e das feministas - normalmente pelos mesmos motivos.
(Cansa-me, enfim, enumerar o que me aborrece nesta sociedade de colunistas amadores.
Já quis ser colunista. Hoje em dia a ideia de impor as minhas opiniões faz-me perder essa vontade. Prefiro ser bloguista.)
1 comentário:
Eu voto já em ti!!!
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