quarta-feira, 9 de julho de 2008

decisões

Fico vulnerável ao adormecer. À noite, quando me deito, a sentir o peso reconfortante da sua mão na minha anca, apetece-me sempre soltar algumas palavras antes que o sono me roube a possibilidade de o fazer. Coisas que se querem libertar ao longo do dia e que só têm aquela pequena margem de tempo para ser partilhadas. Inevitavelmente, quando acordo de manhã, a sensação que tenho é a de que sou submissa à lamechice.
Ontem fiz uma revelação. Contei-lhe o meu desejo. Rendi-me à perseguição de uma vontade que me esforço por contrariar em nome do bom-senso. Apetecia-me que esta vontade continuasse a ser só minha e não uma revelação pública, como se tivesse usado e abusado da única forma de desinibição que me estava vedada, por minha própria imposição. Agora já não é a minha vontade. Perdi-a, sem certezas de ter pensado nela o suficiente. Mais do que isso, fiz planos, cálculos mentais, contas de somar sobre esta sede crescente que devia permanecer platónica e que agora se transformou numa meta a atingir.
Não estou triste. Estou receosa e insegura. Agradava-me pensar sobre o assunto, era uma forma de regozijo interior que me alimentava. Agora desmistificou-se e obriga-me a dar um passo, do qual sei que é impossível arrepender-me, mas que assume proporções imensas, que me assustam.
...
(Só escrevo coisas desinteressantes e ilegíveis. São assim, os meus pensamentos constantes: enleados e confusos. Gosto de escrevê-los para, com sorte e alguma preocupação gramatical, tentar compreender-me melhor).

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