Reparei há um tempo que existem nesta terra, vários estabelecimentos onde podemos registar o boletim do Euromilhões. Não sei se isto é necessariamente sintomático do que quer que seja. Há, claramente, muitos emigrantes, retornados de vidas passadas em França e na Suiça, que, obstinadamente, voltaram para construir as suas casas ricas, monstrengas e sem gosto, na sua terra natal. A periferia é composta, quase na totalidade, por pequenas indústrias: pedra, madeira, terraplanagem, serralharia... Em todos os restaurantes e tascas abunda gente da construção civil e vêem-se nos passeios mulheres de avental, que varrem diariamente as entradas das suas casas. Há escola, bombeiros, o jardim principal e até um coreto. Fosse esta uma terra que visse de passagem e até poderia considerá-la engraçada e pitoresca, com o seu pequeno mundo a pulsar sempre ao mesmo ritmo. Mas esta é uma terra que visito com regularidade e já me cansam as suas ruas, as suas gentes, a sua pequenez. Custa até a acreditar que o hábito não faz o monge quando, todos quantos lá pertencem, me parecem monotonamente iguais.
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