Madrugada de domingo, com o sol a querer nascer lentamente, num céu rosado.
Fui ao Hospital. A S. José, que é, no meu imaginário, o hospital dos Hospitais. É um dos mais velhos hospitais de Lisboa, para onde nos reencaminham quando a especialidade que precisamos não é contemplada nos outros, da periferia.
Passei no Martim Moniz adormecido e fui de encontro ao mundo morto-vivo de um amanhecer calmo nas urgências do hospital.
Depois das burocracias e de ver negada qualquer possibilidade de resolverem o meu problema, resignei-me a ser encaminhada para uma sala de observação, só porque sim. Percorri um corredor escuro, onde me cruzei com pessoas que gemiam, deitadas em macas estreitas e muito altas, desconfortáveis nos seus lençóis de goma, como que abandonadas. Lembrei-me dos hospitais de campanha dos filmes de guerra.
Por ali fiquei mais de meia hora, sentada na obscura sala, a ver o paracetamol pingar pacientemente.
Agradeci o facto de ter saúde. De ter saúde para trabalhar, para viver.
Pensei, uma vez mais, que não quero chegar a velha.
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