terça-feira, 25 de agosto de 2009

casa conveniente

As memórias atraiçoam-me.
Devem ter passado seis anos e alguns meses desde que a professora da cadeira de Contemporaneidade e Produção Cultural nos levou (os que quiseram ir) a ver a adaptação teatral da obra de Raymond Carver, "De que falamos quando falamos de amor".
Lembro-me mal, como se logo depois dessa noite atípica naquela casa-fantasma no Cais do Sodré, com cadeiras espalhadas pelo chão sujo, me tivesse sucedido alguma coisa que me tenha apagado quase na totalidade o registo mental de que ela (a noite) tivesse sequer existido.
Lembro-me de coisas soltas: de entrar no espaço, de ver as sombras, da apresentação sumária da professora à obra de Carver, da admiração contida, porém latente, nas suas palavras. Nunca me esqueci do título. É o que me faz acreditar que a noite existiu, muito além de comprovar a existência da obra.
Os meus limites culturais não me permitiam conhecer o espaço, o livro ou o autor até aquela data. E depois disso, não mais voltei: nem ao espaço, nem ao livro, nem ao autor. Não sei se foi bom ou mau. Lembro-me aos farrapos.
Gostava de poder dizer que as minhas experiências académicas estão parcialmente nubladas por uma recorrente onda de loucas ressacas e noites queimadas por caminhos pecaminosos, mas não.
A noite na casa conveniente, tal como as aulas da Dr.ª Isabel Meirelles, a matéria de Sistema dos Media ou a de Direito, a Tuna e o 2º a Circular são um emaranhado de lembranças esmiuçadas e fundidas noutros contextos tão diversos, que só posso concluir que nada daquilo que sou (ou não sou) se deve aos meus anos de formação superior.

3 comentários:

Miss Kin disse...

Chateia-me tanto perder registos na mente...

Mukkinha disse...

E de mim? Lembras-te?
Eu estava na casa conveniente e também me lembro do chão sujo... e torto!! Cimento deitado ao chão sem ter sido espalhado. Assustador!
De sistema dos media lembro-me do profe ter falado de telemóveis de terceira geração em que viamos a pessoa do outro lado enqt falavamos. E nós: sim, sim... deve ser, deve! lol
De direito lembro-me que podemos filmar a fachada de uma casa privada desde que não filmemos nada que se passa lá dentro :) eheheheheh
E da Isabel Meirelles tenho boa ideia. Gostava das aulas, eram giras. Tu não te lembras pq não ias eheheheheheheh

Eu tenho muitas e boas recordações dos tempos da ESCS. Algumas bem vivas!

E acho que tás errada porque algumas das pessoas que hoje fazem parte da tua vida foram herdadas desse tempo. Diz-me lá o que serias sem a Alda? Olha, não tavas grávida, é o que te digo!!

FavaRica disse...

Bem, não foi propriamente a Alda que me engravidou mas... know what you mean. Fui demasiado radical e esqueci-me dessa enorme, tremenda, influência na minha vida!
Desculpa, 'mardinha' (...)